Como eu era antes de você

12:00

Já havia visto muitas pessoas comentando sobre esse livro, mas ele entrou oficialmente na minha wishlist graças à resenha da minha amiga Leidiana Pereira, do blog Diário da Lady. O problema é que estava faltando tempo para lê-lo.

Na quinta-feira (26/05/2016) tivemos o feriado de Corpus Christi e - como trabalho em escritório - a empresa enforcou a sexta-feira e aproveitei para começar a lê-lo.


  • EDITORA: Intrinseca.
  • I.S.B.N.: 9788580573299.
  • TRADUTOR: Beatriz Horta.
  • NÚMERO DE PÁGINAS: 320.
  • ANO DA EDIÇÃO: 2013.
  • AUTOR: Jojo Moyes.
Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe. Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.


A leitura é envolvente e de fácil entendimento. O desenvolvimento da história é muito interessante e a forma como a autora consegue criar uma identidade para cada personagem é surpreendente. O livro é narrado pela personagem principal na maior parte do tempo, mas há alguns capítulos em que outros personagens o fazem - o que torna a interpretação leve e nos possibilita explorar todos os lados da trama com facilidade.

Já imaginava que o enredo seria emocionante, porém esperava um romance clichê e fico imensamente feliz ao admitir que errei feio no meu pré-julgamento. A autora teve a sensibilidade e a consciência de nos mostrar a realidade vivida pelos tetraplégicos, diferente de muitos outros romances que abordam algum tipo de deficiência e acabam focando mais na dificuldade causada ao casal do que no drama vivido pela pessoa.

A impressão que tive de Will Traynor é de que ele havia alcançado a vida que sempre sonhou e que o que o atormetava após o acidente não era tê-la perdido e sim não haver possibilidade de recuperá-la. Me coloquei no lugar dele involuntariamente em alguns momentos e passei a respeitar não só a ele, mas também suas vontades.

"E sabe o quê? Ninguém quer ouvir esse tipo de coisa. Ninguém quer ouvir você falar que está com medo, ou com dor, ou apavorado com a possibilidade de morrer por causa de alguma infecção aleatória e estúpida. Ninguém quer ouvir sobre como é saber que você nunca mais fará sexo, nunca mais comerá algo que você mesmo preparou, nunca vai segurar seu próprio filho nos braços. Ninguém quer saber que às vezes me sinto claustrofóbico estando nesta cadeira que tenho vontade de gritar feito louco só de pensar em passar mais um dia assim."

Por outro lado, Louisa Clark desenvolveu um sentimento único por ele. Não o amor que estamos acostumados a ler, mas sim algo puro. Will não mudou Lou... Will enxergou o potencial  que ninguém jamais enxergara nela, Will expandiu a visão que ela tinha sobre a própria vida, Will a ajudou a se descobrir. Como ela seria capaz de respeitar uma vontade tão devastadora que os afastaria eternamente? No lugar dela, eu agiria da mesma forma.

“Seu corpo era apenas uma parte do pacote completo, algo para se lidar de vez em quando, em intervalos, antes de voltarmos a conversar. Para mim, tinha se tornado a parte menos interessante dele."

Creio que esse seja o motivo de eu ter me conectado tanto a essa história: Ainda que Will não tenha narrado nenhum dos capítulos, pude entender ambos os lados e concordar com cada um deles.

Essa é, inclusive, a única queixa que tenho a fazer sobre o livro: Senti falta de uma narração do Will após a decisão definitiva dele. Fiquei na expectativa que isso ocorresse quando o fim do livro começou a se aproximar, mas não aconteceu. Talvez para prolongar a tensão, mas ainda assim acho que teria sido interessante que ele mesmo externasse seus medos, receios ou até mesmo a ausência deles.

A vida da família Traynor foi totalmente abalada após o acidente de Will. A condição financeira deles os possibilitava dá-lo os melhores tratamentos, mas isso não era o suficiente. Will os apartou totalmente e eles não sabiam mais o que fazer para tentar mudar isso e, sem dúvidas, quem mais sofria com a situação era sua mãe, Camila Traynor.

“É só que o que não se pode compreender a respeito da maternidade, até que se tenha um filho, é que não é um adulto — o deselegante, barbado, fedorento, filho teimoso — que a mãe vê diante de si, com seus recibos de estacionamento, seus sapatos não engraxados e sua complicada vida sentimental. A mãe enxerga todas as pessoas que o filho já foi ao longo da vida reunidas em uma só.”

A família Clark é bastante unida e se parece muito com uma típica família brasileira - apesar de serem ingleses. A maior parte do humor do livro fica por conta deles e, falando nisso, 'Como eu era antes de você' engloba todos os gêneros de forma ordenada e eles funcionam estranhamente bem. Muitas vezes dei risada enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto - sim, chorei.

Ainda falando sobre humor, o humor ácido de Will me faz lembrar o House (da série House M.D.). Na verdade a grosseria e o mau-humor que ele usa como artifício para manter as pessoas longe e camuflar o sofrimento e a dor interminável também me remete ao médico mais amado do mundo.

"Meu cérebro não está paralisado. Ainda."

O namorado de Lou, Patrick, parece não estar no ambiente mesmo quando está. Ele não se encaixa na história e acho que essa foi a intenção da autora. Em alguns momentos senti pena dele, mas era óbvio que ele e a Lou não tinham mais nada a ver e só estavam juntos por costume e pelo conforto que todos os anos juntos os proporcionou.

Nathan, enfermeiro de Will, não tem sua origem muito aprofundada, mas acolheu Lou desde o início e - até ela chegar - era a pessoa mais próxima de Will. Ele está sempre com os dois, como se fossem os três mosqueteiros! Rs. Acho isso muito legal.

O livro nos dá um tapa indireto e sutil na  cara, pois inevitavelmente reforça a ideia que independente do problema que temos sempre tem alguém pior que nós, porém não se engane, não é um livro de autoajuda, nem de drama, nem de romance e nem de nenhum outro tema pré-determinado. É um livro de vida e na vida há de tudo.

"Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível.”

Recomendo a todos, mas não esqueçam de separar os lencinhos pois o choro inevitável.

Caso você prefira filmes, o filme será lançado esse mês, dia 16. Abaixo estão os trailers oficiais do mesmo.




Eu prefiro livros pois na maioria das vezes muito se perde quando a história é passada para as telonas. Me forcei a lê-lo antes de assistir ao filme exatamente por esse motivo.

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8 comentários

  1. Isabella amei a resenha do livro uma ótima indicação fique ate curiosa pra lê.Bjim(: bom final de semana borboletando-emtudo.blogspot.com.br

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  2. eu estou louca pra assistir! e quero ver antes de ver o filme! mas não consigo achar na cidade vou ter q comprar via net!
    beijinhos
    http://adeliadanielablog.blogspot.com.br/2016/06/bernardo-da-madrugada.html#comment-form

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    1. O livro, sem dúvidas, é muito melhor que o filme mesmo.

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  3. Não vejo a hora de ler o livro e principalmente assistir o filme!
    Amei o post!
    Beijo
    http://www.simplesedoce.com.br/

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  4. Adorei o post!Esse livro recebeu ótimas críticas,todo mundo está comentando,principalmente agora que estação lançando o filme,não estava com vontade de ler,até ver seu post,rs.E ah,te indiquei em uma tag.Beijos :3

    http://everything2k.blogspot.com.br/

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    1. Queria ter visto esse comentário antes pra responder a tag, desculpa a demora! :/

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